Ganho com imóvel pode alcançar dois dígitos ao ano até 2022

 

 

 

— De São Paulo

17/02/2020 05h00 Atualizado 


Que o mercado imobiliário está em ascensão no país ninguém contesta. Mas qual o potencial de ganho de capital para o investidor no atual cenário? Especialistas ouvidos pelo  O diretor da Ourinvest Real Estate e professor do Insper, Rossano Nonino, estima uma elevação de preços do metro quadrado e de locação de 12% a 15% ao ano, em média, até 2025. Quem lidera o movimento hoje é a capital paulista, mas outras regiões devem seguir o avanço nos próximos anos. O especialista faz algumas ressalvas sobre a projeção. “O mercado imobiliário tem características muito específicas e o comportamento dos preços obedece a inúmeras variáveis, como localização - existem cidades em que o preço ainda cai -, tipo, ou seja, se é comercial ou residencial, perfil e diversas outras considerações”, pondera.

 

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Apesar de os municípios e segmentos apresentarem ritmos de recuperação diferentes, existe uma tendência consolidada de os valores ou terem estabilidade ou subir. O CEO da RBR Asset Management, Ricardo Almendra, revela que seu cenário base para os imóveis comerciais contempla uma subida média de preços, tanto do metro quadrado quanto da locação, de 15% em 2020 e mais 10% em 2021 na capital paulista, o maior mercado do país. Mas considera grande a possibilidade de as elevações se manterem nesse patamar por mais tempo.

 

Nesse cenário e com taxas praticadas hoje no crédito imobiliário na casa de um dígito, a valorização potencial de um imóvel pode até superar o custo do empréstimo. “É uma situação na qual a alavancagem pode se tornar vantajosa ao investidor, que pode arbitrar ganho entre o preço do financiamento e o de venda em um horizonte de até seis anos, se o cenário de expansão se concretizar”, avalia Nonino.

No Rio de Janeiro, nas mesmas bases, a locação recuou 22,9% em termos nominais e 40,49% reais. Os valores de venda, por sua vez, caíram 13,31% nominalmente e 33,03% com ajuste da inflação.

Nonino, do Insper, lembra ainda que, quando se fala em retomar o nível de preços de antes da crise, significa que o caminho de volta é maior em termos percentuais comparado à queda. Por exemplo, um imóvel que custava R$ 100 mil em 2014 e passou a valer R$ 70 mil no ano passado teve uma desvalorização de 30%. Mas para recuperar o valor de seis anos atrás teria de subir 43%. E, no caso de uma propriedade no qual o valor de venda caiu pela metade, então seria preciso uma alta de 100% para retomar o preço máximo alcançado.

 

O coordenador de pesquisas da Fipe e responsável pelo índice Fipe-Zap, Eduardo Zylberstajn, explica haver, no entanto, velocidades diferentes de retomada entre as regiões do país. “Depende de cada cidade; o Rio de Janeiro, por exemplo, tem questões mais profundas a serem resolvidas. Em outras capitais como Porto Alegre, Curitiba e João Pessoa, os preços ainda caem”, diz o economista. Por outro lado, além de São Paulo, segundo ele, Florianópolis tem exibido aumentos robustos.

 

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